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Defesa mapeia mais de 70 por cento do vazio cartográfico da Amazônia

By Defesanet. Updated on 01/06/2021 - Published in 03/14/2016

Um projeto coordenado pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), do Ministério da Defesa, já mapeou mais de 70% do chamado “vazio cartográfico da Amazônia” uma área de 1,8 milhão de km² que, até então, não contava com informações cartográficas terrestres. O vazio corresponde a 35% do total do território amazônico e concentra-se em áreas de floresta e de fronteira, nos Estados do Amapá e do Amazonas, além de parte do Acre, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Roraima.

O projeto alcançou, em 2015, execução de 71,14% da meta. O investimento com recursos da União é de mais de R$ 333 milhões, dos quais R$ 237 já foram executados. A iniciativa compreende a elaboração de cartas náuticas, mapeado os principais rios navegáveis da região, e também cartas geológicas, mostrando os potenciais geológicos da área. A previsão é que os trabalhos estejam finalizados até 2018.

Da área total do vazio cartográfico, cerca de 1,6 milhão de km² é de vegetação densa, sendo necessário utilizar ferramentas tecnológicas capazes de atravessar as copas das árvores, para registrar a correta altimetria do solo. “Esse mapeamento é inédito e servirá para diversas aplicações na Amazônia”, ressalta o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes.

Parte da Amazônia foi imageada na década de 70, por meio do Projeto RadamBrasil, no entanto, em escala menor e sem a adequada altimetria do solo. “Na época, não havia tecnologia capaz de atravessar as copas das árvores para coletar o movimento altimétrico do solo. Hoje, já temos. Além disso, conseguimos fazer as cartas numa escala muito maior”, explica o diretor do Censipam, acrescentando que apenas 155,4 mil km² da área total mapeada não é coberta por floresta.

Mapeamento terrestre

Todo o trabalho da cartografia terrestre é feito pelo Exército Brasileiro. Segundo o coronel Marcis Mendonça Júnior, gerente do projeto pelo Exército, o mapeamento permitirá ummaior conhecimento sobre a Amazônia. “Contribuirá ao Brasil conhecer a parte ainda não mapeada do seu território”, ressaltou. O Exército já entregou ao Censipam 1.087 cartas terrestres, todas geradas por meio do projeto.

Dos 1,8 milhãode km² do vazio, 1,142 milhão km² foram sobrevoados, sendo que, deste total, 902,18 milkm² já foram processados (80% dos dados). A previsão é de que, até o fim de 2016, o restante dos dados seja captado. Com recursos do projeto, o Exército já construiu um Centro de Processamento de Imagens, para a elaboração das cartas. As imagens também estão servindo para produzir outros produtos, como mapas de previsão de risco, estudos de implantação de infraestrutura e a extratificação da vegetação.

Mapeamento fluvial

Outro foco da iniciativa é a segurança da navegação, tanto para o transporte de cargas como o de pessoas. Para isso, estão sendo mapeado os principais rios navegáveis da Amazônia, trabalho a cargo do Centro de Hidrografia da Marinha (DHM). A produção de novas cartas náuticas ou a sua atualização é de grande importância, tendo em vista que os rios estão em constante movimento. As cartas são construídas com a utilização de barcos especializados para essa finalidade. Para atender ao projeto, foram construídos cinco navios, todos pela indústria nacional, sendo que o último deles foi entregue no ano passado.

A Marinha mapeou, de 2008 a 2015, mais de 35,8 mil km² de rios e trechos navegáveis da Bacia Amazônica. Esse trabalho resultou na produção de 115 cartas náuticas, entre novas e atualizadas. A previsão é produzir outras 41 cartas até 2018. É por meio das hidrovias que são escoadas mais de 95% das exportações da região, formadas por produtos como caulim, celulose, bauxita, soja, fertilizantes, petróleo e gás liquefeito de petróleo (GLP); além de produtos eletroeletrônicos, automotivos, óticos, químicos, termoplásticos e metalúrgicos da Zona Franca de Manaus.

O projeto concentra-se, ainda, em mapear os potenciais geológicos da região. Essa parte do trabalho é executada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Foram realizados levantamentos aerogeofísicos de 570 mil km² e produzidas 29 folhas de mapeamento geológico, que somam 477 mil km². Outros cinco aerolevantamentos de uma área de 277 km² estão sendo concluídos.

Cartografia

O plano de mapeamento foi lançado em 2008 e tem o Censipam, como coordenador, de um lado; e Marinha, Exército e CPRM, como executores, de outro. Os produtos cartográficos auxiliarão no planejamento e execução de outros projetos, como a construção de rodovias, ferrovias, gasodutos e hidrelétricas. Também vai contribuir para a demarcação de áreas de assentamentos, terras indígenas, áreas de mineração, agronegócio e na elaboração e apoio ao zoneamento ecológico, econômico e ordenamento territorial, a segurança territorial, ao escoamento da produção e ao desenvolvimento regional. As informações ajudarão, ainda, na ampliação do conhecimento sobre a Amazônia Brasileira e na geração de informações estratégicas para monitoramento de segurança e defesa nacional, em especial, nas fronteiras.

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