ABIMDE
O Comandante do Exército Brasileiro, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, participou, em 9 de setembro, da Reunião Plenária da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), no auditório da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em São Paulo. Na palestra “O Brasil e sua Capacidade de Defesa Terrestre”, apresentou os principais programas da Força e os desafios para sua execução.
A exposição abordou a renovação das frotas blindada e aérea, o apoio de fogo, os sistemas não tripulados, o monitoramento de fronteiras e a defesa cibernética. Ao traçar perspectivas para os próximos anos, o General Tomás destacou ainda a inteligência artificial e os recursos humanos. Defendeu maior velocidade na incorporação de tecnologias para acompanhar as mudanças nos conflitos e atender às exigências de proteção do território.
As operações na Amazônia exemplificaram a complexidade das missões em regiões de difícil acesso. As distâncias e as condições de transporte exigem planejamento logístico, mobilidade, comunicações e vigilância. Segundo o Comandante, a integração de informações e a rapidez nas decisões são necessárias para responder às ameaças em uma área extensa e permeável.
Nesse contexto, apontou oportunidades para a Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) no fornecimento de drones, componentes, veículos, embarcações e munições. Ressaltou também que a manutenção deve acompanhar os equipamentos ao longo de sua vida útil, com suporte integrado para assegurar a disponibilidade dos meios.
No campo orçamentário, o General Tomás defendeu a regularidade dos recursos como condição para contratar e dar continuidade aos projetos, permitindo aos fornecedores organizar compromissos de longo prazo.
“Eu acho que é sempre desejável que o Estado proteja os seus ativos e proteja as suas indústrias de defesa. Mas acho que a principal proteção é através de investimento”, afirmou.
Ao responder às perguntas dos participantes sobre a produção brasileira e as aquisições no exterior, discutiu a necessidade de conciliar soluções desenvolvidas no País com a urgência das demandas militares. Quanto à cooperação internacional, observou que a transferência de tecnologia depende das cláusulas negociadas nos contratos, que devem resguardar a soberania e os interesses nacionais.
O incentivo às exportações foi outro tema do debate. O General ressaltou a importância de mecanismos de crédito e de garantias para viabilizar vendas externas, além de medidas que facilitem o acesso dos fabricantes a outros mercados.
Questionado sobre o apoio a novos empreendimentos, mencionou o Instituto Militar de Engenharia (IME) e o Sistema Defesa, Indústria e Academia (SisDIA) como caminhos para aproximar a pesquisa das aplicações operacionais. Reconheceu, porém, que a escassez de verbas limita o fomento a essas propostas.
O presidente do Conselho de Administração da ABIMDE, Luiz Carlos Paiva Teixeira, ressaltou o valor da interlocução direta entre as associadas e o comando da Força Terrestre. “O Comandante trouxe informações que ajudam as empresas a compreender o que o Exército precisa e quais desafios devem ser considerados no desenvolvimento de produtos. Esse contato permite orientar projetos e investimentos com base nas necessidades de quem emprega os equipamentos.”
Estiveram presentes o Comandante Militar do Sudeste, General de Exército Ricardo Piai Carmona; o Secretário de Produtos de Defesa, Tenente-Brigadeiro do Ar R1 Heraldo Luiz Rodrigues; e o Presidente-Executivo da ABIMDE, Tenente-Brigadeiro do Ar R1 José Augusto Crepaldi Affonso, entre outras autoridades e representantes do setor.
No encerramento, Luiz Teixeira agradeceu ao General Tomás pela participação e pela disponibilidade para o diálogo com as associadas. Ambos trocaram presentes institucionais, entre eles, uma moeda comemorativa da ABIMDE entregue ao Comandante.
Crédito das fotos: ST Edmilson/ Exército Brasileiro
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