ABIMDE

News - Learn all about ABIMDE here

Brasil e Colômbia ampliam esforços conjuntos de segurança na fronteira amazônica

By Defesanet. Updated on 01/06/2021 - Published in 06/01/2016

Os exércitos do Brasil e da Colômbia vão ampliar as ações bilaterais permanentes para reforçar a vigilância e o intercâmbio no combate a crimes transnacionais. As iniciativas vão desde instalação de mais pelotões militares na fronteira comum e ensino de idioma para melhorar a comunicação entre as unidades dos dois países até compartilhamento de sistemas e tecnologias de informação, combustível e pistas de pouso para aeronaves. Incluem ainda a aproximação com instituições de pesquisa para conhecer os impactos da exploração ilegal das riquezas naturais (minerais e madeira), uma importante fonte de recursos financeiros para sustentar o narcotráfico.

“O inimigo se adapta dia a dia”, afirmou o General-Brigadeiro Francisco Javier Cruz Ricci, Comandante da 6ª Divisão de Exército Colômbia, sediada em Florencia (capital do departamento de Caquetá), durante a Operação Traíra, em reunião realizada em Tabatinga, no oeste do estado brasileiro do Amazonas. Na Operação Traíra, realizada de 4 a 8 de abril, os militares do Brasil, da Colômbia e do Peru uniram “inteligência, tecnologia e confiança entre os exércitos”, segundo o Gen Brig Cruz.

“Essa guerra na fronteira precisa unir toda a Amazônia, ela é pan-amazônica”, disse o General de Exército Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, Comandante do Comando Logístico (COLOG) do Exército Brasileiro (EB) que participou da Operação Traíra e esteve à frente do Comando Militar da Amazônia (CMA) até 15 de abril.

Além da Colômbia, o EB pretende ampliar as ações com a Bolívia. Observadores da Força Aérea, do Exército e da Marinha do país andino acompanharam dois dias da Operação Traíra (6 e 7 de abril) na região de Cruzeiro do Sul, no Acre. O Tenente-Coronel William Camacho Martins, representante do 6º Distrito Naval, com sede em Cobija, estado boliviano de Pando, informou que o grupo conheceu a estrutura de combate aos crimes e como o EB utiliza seu poder de polícia.

“[Na Bolívia], interessa-nos levar esta experiência ao nosso país e criar normas para que a ação na fronteira seja mais efetiva”, afirmou o Ten Cor Martins, acrescentando que a Bolívia pretende instalar pelotões fronteiriços, seguindo o modelo do EB. “A Amazônia boliviana é corredor da droga peruana para entrar no Brasil, por isso temos de atuar juntos.”
 

A Colômbia conta com o compromisso de países produtores de cocaína de participarem de um esforço coletivo para reduzir ao máximo o cultivo da coca (principal ingrediente usado na droga), erradicando plantações ilegais e laboratórios de pasta-base. Nos três primeiros meses do ano, a 6ª Divisão de Exército da Colômbia neutralizou 320 laboratórios e nove cristalizadeiros, além de apreender 4 toneladas de cocaína “prontas para exportar”, segundo o Gen Brig Cruz.

Esforços conjuntos

O reforço das iniciativas, seguindo operações militares conjuntas como a São Joaquim, a Anostomus e a Traíra , é validado pelo Decreto 8.698 de 28 de 2016, da Presidência da República do Brasil, que promulgou o Memorando de Entendimento entre os governos do Brasil, Colômbia e Peru para ações de combate a atividades ilícitas em rios fronteiriços ou comuns.

O Gen Theophilo lembrou que o acordo permitiu intensificar a ação coordenada. Ele destacou que o incremento foi sinalizado em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) brasileiro sobre o Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), divulgada em 2015, que detectou fragilidades na proteção e segurança dos 16.886 km da fronteira entre o sul e o norte do Brasil. A auditoria constatou baixo investimento e carência de recursos humanos e materiais, como aeronaves, sistemas de comunicação interoperáveis e cães farejadores.

“As conclusões realçam a vulnerabilidade do espaço territorial que contribui para agravar a condição de ambiente propício aos ilícitos de tráfico de drogas e armas”, advertiu o tribunal.

“O documento mostra que quase não há segurança acima de Mato Grosso. A área vai ficando rarefeita e o que existe são os Pelotões Especiais de Fronteira (PEFs) do EB”, disse o Gen Theophilo.

A auditoria reconheceu a importância do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) , projeto estratégico do Exército. O sistema de vigilância utiliza sensoreamento remoto, drones, aviões de asa fixa e radares nacionais. “Vamos equipar os nossos PEFs com tecnologia para fazer um combate melhor”, completou o Gen Theophilo.

A aquisição de uma aeronave de asa fixa para o 4º Batalhão de Avião do Exército (4º BAvEx), situado em Manaus, é prioridade, disse o Gen. Theophilo. Antes da Operação Traíra, ele foi ao Chile para conhecer modelos na 9ª Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE). Os estudos sobre o equipamento mais adequado e o investimento serão aprofundados pelo COLOG.

O Gen Theophilo destacou ainda o Programa Amazônia Conectada, que prevê 7.800 km de fibra ótica ligando 52 municípios situados nas calhas dos rios Negro, Madeira, Solimões, Purus e Juruá, no Amazonas. A infovia, instalada sob a água, já liga Coari e Tefé. Segundo o Gen. Theophilo, os cabos chegarão a Tabatinga até dezembro, transformando-se em um recurso decisivo na cooperação com a Colômbia, pois melhorarão a infraestrutura de comunicação digital.

Pesquisa ambiental

Outro programa do CMA é o Pró-Amazônia, que envolve convênios com centros de pesquisa em todo o Brasil. Na Operação Traíra, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estavam na comitiva. Militares brasileiros e colombianos e os pesquisadores do INPA e da UFRJ se reuniram com integrantes do Instituto Amazônico de Investigações Científicas (SINCHI) e da Universidade Nacional da Colômbia, instituições colombianas com unidades em Leticia, para troca de informações.

Chefe do Centro de Operações do CMA, o General de Brigada Antônio Manoel de Barros diz que a proximidade com áreas de pesquisa permite aprofundar o conhecimento sobre os potenciais naturais da Amazônia, a forma de extração de minerais e como a ação de grupos ilegais pode comprometer o futuro das reservas. Colômbia e Brasil preocupam-se com o uso de mercúrio na extração de jazidas de ouro, pois a substância contamina rios, mata a fauna e a flora e ainda pode afetar as populações.

O pesquisador João Paulo Machado Torres, do Instituto de Biofísica da UFRJ, coletou amostras de solo e analisará em laboratório a existência de metais pesados e micropoluentes. “O problema na Amazônia é a entrada do mercúrio (de forma natural ou do garimpo), que é metilado em ecossistemas ribeirinhos, amplificando o dano do ciclo ao ambiente. Esse processo biogeoquímico transforma o mercúrio, que já é tóxico, em uma molécula até mil vezes mais tóxica e perigosa.”

Foco na interoperabilidade

Como a interoperabilidade é um fator decisivo na ação compartilhada, a Colômbia quer adotar o mesmo protocolo de comunicação por rádio usado pelo EB. Com a mesma plataforma, um piloto de uma aeronave colombiana poderá conversar com o do Brasil, em uma operação ou na ação rotineira de vigilância. “Já temos 70% das unidades habilitadas no mesmo sistema”, disse o Gen Brig Cruz. “Até o fim do ano, todas [as organizações militares da divisão] estarão inseridas. Será espetacular, pois será tecnologia para intercâmbio de informações e mais oportunidades de ação das tropas e melhores resultados.”

O Gen Brig Cruz já participou de reunião em Brasília, capital do Brasil, para conhecer o escopo do SISFRON, cujos testes começaram em 2015 na região do Comando Militar do Oeste (CMO), no estado de Mato Grosso. “O plano é termos o mesmo modelo, para que seja possível trabalhar com a mesma doutrina e equipe, cada um com sua estrutura de segurança, para integrar completamente as forças na região. Já estamos em conversações para isso”, adiantou. “Vamos usar a tecnologia. Onde não tem soldado, teremos satélite ou drone.”

A criação de mais pelotões de fronteira na interface territorial com o Brasil está entre as medidas para melhorar a ação contra crimes. Atualmente, são quatro unidades posicionadas na área de abrangência da 6ª Divisão de Exército. O reforço faz parte do Programa de Modernização do Exército da Colômbia, com metas até 2018, 2022 e 2030. “Está previsto formar um Exército de proteção na fronteira, com maior número de postos para controlar ao máximo o trânsito de ilícitos”, afirmou o Gen Brig Cruz.

Operações conjuntas inovadoras

O abastecimento de aeronaves é outra inovação no apoio entre os países. Os comandos militares destacaram o suprimento de combustível de aviação como um gargalo devido às longas distâncias e à dificuldade de transporte, feito por rios. Eles também pretendem estabelecer um marco regulatório para permitir que um helicóptero colombiano pouse em pistas brasileiras para abastecimento e o mesmo ocorra com aeronaves do EB. “A ideia é que seja um único solo na fronteira”, disse o Gen Brig Cruz.

O domínio do português por oficiais da 6ª Divisão de Exército será um requisito para atuar em unidades localizadas na fronteira. De 10 a 20 oficiais concluirão o curso do idioma neste ano. A meta é assegurar que até 60% dos militares graduados da divisão falem português.

“O oficial deslocado para atuar em cidades como Leticia terá a formação antes”, explicou o Gen Brig Cruz, que também quer a presença de oficial da área de inteligência do EB em seu estado-maior, em Florencia, onde o Peru já tem um militar junto ao comando. “Isso facilitará a comunicação direta dos nossos militares com as unidades brasileiras, principalmente nas emergências. É fundamental para futuras ações.”

Back

Member Service

(11) 3170-1860

São Paulo - SP

Avenida Brigadeiro Luís Antônio, Nº 2,367 | 12º andar, Conjunto 1201 a 1207 - Jardim Paulista - Zipcode: 01401900

All rights reserved to ABIMDE2026

We use cookies to ensure that you have the best experience on our site. If you continue to use this site, we will assume that you agree to our privacy policy.