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Máscara protetora contra coronavírus Foto: Nicholas Pfosi / REUTERS
Conversas começaram há cerca de 30 dias e têm como foco, entre outros itens, máscaras, álcool em gel e ventiladores pulmonares
BRASÍLIA - O acordo firmado pelo governo com setores industriais para o aumento da produção nacional de máscaras de TNT e N95, álcool em gel, ventiladores pulmonares e outros produtos usados na prevenção e no combate ao coronavírus vai começar a dar resultados a partir do próximo mês. A estimativa é do secretário de desenvolvimento da indústria, comércio, serviços e inovação do Ministério da Economia, Gustavo Ene.
Em entrevista ao GLOBO, Ene disse que, a pedido do Ministério da Saúde, a área econômica do governo começou a conversar com mais de uma centena de empresas e associações. Até o início de maio, começarão a ser produzidas 15 milhões de máscaras de TNT por mês por cerca de 15 empresas do setor.
- Nosso papel é conversar com as empresas sobre a necessidade de aumentar a capacidade produtiva e a resposta tem sido muito positiva - disse ele.
Ele afirmou que não deverá haver mais problema de abastecimento no caso do álcool a 70%. Disse que, recentemente, empresas sucroalcooleiras doaram 1 milhão de litros do produto e a tendência é de ampliação para atender à demanda dos setores público e privado.
Sobre o álcool em gel, que teve a procura aumentada em dez vezes desde o início da crise, ele informou que empresas nacionais estão produzindo em um insumo para substituir as importações. Com isso, a expectativa é que haja uma produção adicional de 10,5 milhões de toneladas do produto ao mês nos próximos 90 dias.
O gargalo na produção do álcool em gel é a falta de uma matéria-prima chamada carbopol. Algumas empresas estão desenvolvendo um novo espessante, que dá menos viscosidade ao álcool, mas é totalmente seguro.
- Indústrias químicas, de refrigerantes, limpeza e beleza fazem parte desse esforço - enfatizou.
Quanto aos ventiladores, a expectativa é que demanda nacional, estimada entre 12 mil e 15 mil equipamentos, também comece a ser atendida no mês que vem. O objetivo é aumentar a produção em cinco vezes.
- Nosso plano A é a aumentar a produção nacional; o plano B é a importação; o plano C é desenvolvermos peças nacionais; e o plano D é recondicionar o que há no mercado de maio em diante - explicou Ene.
Esse sentimento de que o setor produtivo quer contribuir também é percebido no Ministério da Defesa. A pasta vem conversando com a indústria de defesa nas últimas três semanas e a resposta tem sido positiva.
- Estamos nos antecipando e promovemos uma mobilização da base industrial de defesa. Entendemos que, ao mobilizarmos a cadeia toda, temos condições de superar qualquer dependência do exterior - disse Marcos Degaut, secretário de produtos de defesa do ministério.
Segundo ele, foi criada uma plataforma no site do Ministério da Defesa em que as empresas podem se cadastrar e informar que tipo de produtos podem oferecer. Já há 120 bens inscritos.
Degaut citou como exemplos a Taurus, que fez uma reconversão produtiva para fabricar, por meio de impressão 3D, um protetor facial para profissionais de saúde denominado máscara-escudo, ou face shield; e a Weg, que produzirá álcool em gel, e fabricará e fará manutenção de respiradores.
- Também estão envolvidas nesse projeto a Embraer e a Avibras, na produção de equipamentos, entre várias outras. As empresas estão unidas por esse espírito patriótico, nessa situação de guerra contra um inimigo comum - enfatizou o secretário.
Para acessar a publicação: https://glo.bo/2RmgPqC
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