ABIMDE
A ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) reforça sua atuação em segurança ao colocar o Dr. Edval Novaes à frente de suas iniciativas estratégicas para o setor. Delegado aposentado da Polícia Federal, Dr. Novaes traz aos associados profundo conhecimento, com experiência prática na interface entre forças de segurança e indústria, acumulada em órgãos como a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
No Rio de Janeiro, atuou como subsecretário de 2007 a 2016, período em que liderou a área de inteligência, tecnologia e coordenou a implantação do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), estrutura estratégica em grandes eventos internacionais, como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014, a visita do Papa Francisco e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Entre 2017 e 2018, ocupou o cargo de secretário no Distrito Federal.
Na ABIMDE, Novaes tem como missão fortalecer a conexão entre a indústria nacional e as forças, promover o diálogo com instituições das três esferas de governo e garantir que soluções produzidas no Brasil contribuam para modernizar e tornar mais eficientes as operações, ampliando a adoção de tecnologia nacional pelos profissionais da área.
Nesta entrevista, ele destacou os principais desafios do cargo e como pretende aproximar a base industrial brasileira das necessidades de estados, municípios e órgãos federais.
Quais são suas principais metas à frente da assessoria de segurança pública da ABIMDE?
Nossa ideia é potencializar a indústria brasileira, em especial as associadas da área de segurança pública, conectando-as às demandas nacionais. Diferente da defesa, em que o mercado é mais centralizado, a segurança pública é descentralizada: temos 27 estados, cada um com suas polícias, além das guardas municipais e dos órgãos federais, como Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Nosso papel é fazer essa ponte entre a indústria e todos esses atores.
E como enfrentar o desafio da descentralização?
Vamos trabalhar de duas formas. Primeiro, por meio das entidades representativas já existentes, como o Conselho Nacional dos Secretários de Segurança Pública (Consesp), o Conselho Nacional de Comandantes Gerais das Polícias Militares (CNCG) e os conselhos nacionais de chefes de Polícia Civil, Polícia Penal e das Guardas Municipais. Esses colegiados permitem falar com vários estados de uma só vez. Mas também haverá um trabalho direto, “de formiguinha”, indo aonde for necessário para tratar de demandas específicas.
Que benefícios a aproximação com a indústria pode trazer às secretarias e forças de segurança?
Muitas vezes, os profissionais sequer sabem que determinados produtos já são produzidos no Brasil. Ao conhecer melhor a nossa base industrial, eles podem acessar soluções de qualidade, reduzir custos e simplificar processos. Além disso, ao adquirir produtos nacionais, fortalecem a economia, geram empregos e tributos que retornam para o próprio setor.
Como o senhor avalia o uso de tecnologia pelas polícias brasileiras?
Temos realidades muito diferentes. Enquanto alguns estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, investem pesado em tecnologia, outros ainda enfrentam limitações orçamentárias. A média nacional mostra que há avanços, mas ainda precisamos evoluir. É importante buscar sempre inovação, mas com foco na confiabilidade. Equipamentos de segurança precisam estar testados e ser confiáveis, porque se tratam de missões críticas — não se pode correr o risco de uma falha em campo.
A integração de dados é um tema recorrente. Qual o papel da indústria nesse processo?
A integração dos bancos de dados das forças de segurança é um desafio mundial. A indústria pode contribuir oferecendo soluções de software, hardware e inteligência artificial para que as informações sejam acessadas de forma ágil e segura. A criminalidade também faz uso intensivo de tecnologia, por isso é fundamental que as forças de segurança estejam sempre equipadas com ferramentas de última geração, garantindo não apenas o acompanhamento, mas a antecipação de cenários e a tomada de decisões estratégicas.
Há alguma iniciativa já prevista no âmbito da ABIMDE?
Recriamos o Comitê de Segurança, que já realizou a sua primeira reunião. Também estamos formando uma delegação de empresas associadas para participação na conferência da International Association of Chiefs of Police (IACP), em Denver, nos Estados Unidos, um dos maiores eventos mundiais do setor. É uma oportunidade de networking, troca de experiências e aproximação com o mercado internacional.
Qual mensagem o senhor deixa para os associados?
O nosso trabalho será divulgar as capacidades da base industrial nacional e conscientizar as forças de segurança de que é possível e viável adquirir aqui os produtos e serviços de que precisam. Vamos atuar também para ampliar o número de associadas da área de segurança pública. O objetivo é claro: fortalecer a indústria brasileira e contribuir para que o setor seja atendido com soluções produzidas no país.
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