ABIMDE
A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) defendeu o apoio do Estado à indústria nacional como parte do preparo do país para responder às transformações nos conflitos e nas tecnologias militares. Representada pelo Presidente-Executivo, Tenente-Brigadeiro do Ar R1 José Augusto Crepaldi Affonso, a entidade participou, no dia 29 de setembro, de um webinar promovido pelo Centro de Defesa e Segurança Nacional (CEDESEN) sobre a estrutura das Forças Armadas e das unidades combatentes e de logística de defesa diante dos desafios de um mundo em transformação.
Com moderação do embaixador Rubens Barbosa, presidente do CEDESEN, o encontro também reuniu o professor e pesquisador Eduardo Brick, membro do Núcleo de Estudos de Defesa, Inovação, Capacitação e Competitividade Industrial. As exposições abordaram a organização das Forças Armadas, a sustentação logística das operações e os efeitos das escolhas de aquisição e desenvolvimento sobre a produção brasileira.
O Tenente-Brigadeiro Crepaldi ressaltou que definir quais capacidades militares o Brasil pretende manter exige decisões sobre o domínio de tecnologias, a fabricação de equipamentos e a manutenção dos meios ao longo de sua vida útil. Comprar no exterior, desenvolver uma solução nacional ou estabelecer uma parceria são caminhos com efeitos distintos sobre custos, dependência externa e condições de atendimento ao combatente.
Nesse contexto, o Presidente-Executivo da ABIMDE questionou a aquisição de produtos estrangeiros que poderiam ser fornecidos por empresas brasileiras e defendeu a participação do poder público na sustentação do setor. “A indústria de defesa precisa do apoio do Estado”, afirmou.
Ao tratar do preparo militar, o oficial-general explicou que o planejamento das Forças deve ser analisado com base nas hipóteses de emprego definidas no mais alto nível de governo, que orientam as capacidades a desenvolver e o suporte necessário às operações. “As Forças Armadas estão preparadas, sim, conforme as hipóteses de emprego”, declarou. Ele reconheceu oportunidades de aperfeiçoamento e destacou o trabalho dos Estados-Maiores na avaliação de ameaças e na atualização dos planos.
O uso de drones em conflitos recebeu atenção durante a conversa. Segundo o Tenente-Brigadeiro Crepaldi, as três Forças têm investido na aquisição e no desenvolvimento de sistemas não tripulados, em condições brasileiras. O dirigente também citou o comitê da ABIMDE dedicado ao tema como espaço de discussão das demandas e das respostas da indústria.
O orçamento foi outro ponto da exposição. Para o Presidente-Executivo da ABIMDE, a disponibilidade de recursos condiciona a obtenção e a manutenção das capacidades militares. O dirigente observou que os valores destinados a programas específicos seguem as ações orçamentárias aprovadas pelo Congresso e relacionou a necessidade de investimentos a uma maior compreensão, por parte da sociedade, das questões de defesa.
Brick apresentou uma avaliação crítica da organização do sistema brasileiro e defendeu maior integração entre a logística, o planejamento militar e as políticas industriais e tecnológicas. Entre suas propostas, estiveram a criação de um órgão de logística subordinado diretamente ao Ministério da Defesa e a definição de orientações de longo prazo para coordenar prioridades e recursos.
Na mediação, o embaixador Rubens Barbosa destacou que parte dos entraves discutidos ultrapassa a esfera militar. Ele citou as condições tributárias das compras nacionais e externas, o financiamento das exportações e a articulação entre diferentes áreas do governo. Embora tenham apresentado avaliações distintas sobre a estrutura existente, os participantes convergiram quanto à necessidade de decisões de Estado que sustentem a indústria e o preparo da defesa brasileira.
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