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Indústria de Defesa: Brasil e Estados Unidos buscam mecanismos de aproximação comercial

Por Ministério da Defesa. Atualizado em 06/01/2021 - Publicado em 03/10/2016

Ampliar a parceria entre Brasil e Estados Unidos estabelecendo uma agenda de interesses e possíveis novos negócios entre as indústrias de defesa dos dois países. Esse foi o objetivo do encontro “Diálogo da Indústria de Defesa Brasil e Estados Unidos”, realizado nesta sexta-feira (30) no Palácio Itamaraty, em Brasília.

Na abertura do encontro, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, falou sobre a importância desse primeiro passo no sentido de fortalecer de forma significativa a relação industrial de defesa entre os dois países. “Podemos conceber uma estratégia comum de promoção comercial, que ampliará nosso acesso conjunto ao mercado internacional de uma maneira mais global”, destacou.

 

Fotos:Tereza Sobreira/MD
 

 

O evento, promovido pelos Ministérios da Defesa, das Relações Exteriores (MRE), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MICS) do Brasil e pela Embaixada dos Estados Unidos, resultou na assinatura de uma carta de intenções, oficializando a intensificação do diálogo entre as empresas de defesa das duas nações.

Além da assinatura do documento, que estabelece a regularidade de encontros entre as indústrias de defesa dos dois países, ao longo do evento, foram realizados diversos painéis com o objetivo de apresentar a realidade da indústria de defesa de cada país, bem como seus principais desafios e projetos estratégicos em um futuro próximo.

A embaixadora dos EUA no Brasil, Liliana Ayalde, falou da importância em se colocar empresários do setor frente a frente. “O mais importante de hoje é que as diferentes partes que são necessárias para concretizar projetos binacionais estão sentadas juntas, e não é apenas hoje, é um processo institucionalizado para definir o futuro”, disse.

O subsecretário de Comércio dos EUA, Ken Hyatt, deixou claro que a parceria na área de defesa com o Brasil será cada vez maior. “Esse diálogo é um passo muito importante. Ele abre uma nova avenida de cooperação comercial e reflete o pedido dos setores privados que nós recebemos, tanto do Brasil, quanto dos Estados Unidos”, disse.

 

 
 

 

Dentre os temas que entraram em pauta, esteve a questão da conformidade de exportação, que trata sobre os instrumentos de controle que cada país utiliza para controlar as vendas de equipamentos de defesa. Tanto o Brasil quanto os EUA adotam uma série de regras e certificados com o objetivo de impedir o comércio ilegal de armas. Em outro painel, foram abordadas as condições de certificação de produtos em cada país, para se tentar chegar a um formato de reconhecimento mútuo, que facilitaria o comércio de equipamentos de defesa entre países.

Ao tratar de mudanças em marcos legais necessárias para a indústria do Brasil, o secretário de Produtos de Defesa, Flávio Basílio, destacou que essa é uma das formas de melhorar a inteligência comercial do setor. “Esse é um avanço importante, que vai permitir maior segurança e atratividade para que possamos avançar em parcerias estratégicas”, afirmou.

 

 
 

 

As Forças Armadas do Brasil apresentaram aos Estados Unidos alguns de seus projetos estratégicos para que as indústrias norte-americanas possam ver de que forma podem participar de processos licitatórios, alavancando seus negócios. Os americanos também mostraram para a indústria brasileira seus principais planos na área de defesa no médio prazo, apresentando possibilidades para que a indústria brasileira de defesa possa participar da cadeia global de valor norte-americana como fornecedora de componentes para produtos do segmento.

Além disso, foram apresentadas as prioridades estratégicas das duas nações para o futuro. Cada país falará sobre riscos e possíveis ameaças que podem vir a demandar a produção de determinados tipos de equipamentos e que a indústria precisa estar atenta e preparada para atender.

Para o presidente da ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), Frederico Aguiar, ainda existem muitos pontos a serem debatidos, especialmente, no que diz respeito a legislação e exigências norte-americanas. Ainda assim, ele considerou positivo o encontro que certamente abrirá portas e novas oportunidades. “Saio daqui otimista porque os EUA representam praticamente 52% do mercado global, ao passo que, uma coisa importante a se considerar é a entrada que o Brasil tem pelo nosso posicionamento geopolítico em mercados alvos que, muitas vezes, são difíceis até para eles”, analisou.

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