ABIMDE
O governo americano vê os temas do comércio e mudança climática como duas das principais prioridades da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA, encarando a viagem como um novo capítulo no relacionamento entre os dois países. Segundo o diretorsênior para assuntos do Hemisfério Ocidental da Casa Branca, Mark Feierstein, é possível dobrar em dez anos o fluxo comercial entre Brasil e EUA, hoje de US$ 100 bilhões por ano. “Acredito que vocês verão nesta visita passos que vão nos levar a essa direção [de dobrar o fluxo comercial]”, disse ele, em teleconferência sobre a ida de Dilma aos EUA, sem especificar que medidas serão anunciadas. “Estamos focados em tipos de acordo e numa abordagem que vão aumentar o comércio, o investimento e as viagens nas duas direções”, disse Ben Rhodes, viceconselheiro de Segurança Nacional para comunicações estratégicas, que também participou da entrevista.
Feierstein disse que, para a visita de Dilma, os EUA há quatro categorias de cooperação em destaque comércio, defesa e segurança, colaboração regional e global (onde entra a questão da mudança climática) e educação, ciência e tecnologia. O governo americano gostaria que os dois países anunciassem metas de redução de emissões, como os EUA e a China fizeram em novembro do ano passado. O Brasil, porém, ainda não definiu as chamadas contribuições nacionalmente determinadas, a serem apresentadas na Cúpula do Clima em Paris, em dezembro. “Acho que essa é uma oportunidade real para Brasil e EUA mostrarem juntos liderança global nesse assunto”, afirmou Feierstein.
Ontem, o vicepresidente Joe Biden falou ao telefone com Dilma e “enfatizou a importância do Brasil e outros parceiros” para que haja um acordo robusto em Paris, segundo nota da Casa Branca. Principal interlocutor da brasileira no governo dos EUA, Biden conversou sobre os preparativos para a viagem, destacando também a “importância econômica de facilitar as viagens entre os EUA e o Brasil”.
Defesa é outro assunto que deverá ter grande relevância no encontro, afirmaram os dois funcionários americanos. Ontem, o Senado brasileiro aprovou dois acordos importantes dessa área que já tinham passado na Câmara dos Deputados. Um deles trata de cooperação em defesa e outro de medidas de segurança para a proteção de informações militares sigilosas. Acertados entre os dois países em 2010, esses tratados não haviam sido enviados ao Congresso brasileiro. Com a aprovação, abrese um espaço para o compartilhamento de informações na área, algo que deve beneficiar o setor privado.
Rhodes afirmou não ter dúvidas de que haverá “resultados concretos” na visita uma dúvida de muitos analistas que acompanham a relação entre os dois países. “Há vários pontos que incluem acordos e cooperação prática que, francamente, ficaram paradas e não estavam avançando devido a alguns dos problemas no relacionamento nos últimos anos”, afirmou ele, numa referência ao esfriamento da relação causado pelas denúncias de que Dilma havia sido espionada pelo governo americano, o que a levou a adiar uma visita de Estado marcada para outubro de 2013. Agora, os dois países estão preparados para avançar em vários desses temas, disse ele.
Fonte: Valor Econômico
Publicado no site Brazil Modal
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