ABIMDE
Crise: “Ameaça e Oportunidade”
EDITORIAL - TECNOLOGIA & DEFESA
O Brasil adentrou o ano de 2015 sob o signo do “está escrito nas estrelas”, mas daquelas que só se vê quando a nebulosidade o permite, ou seja, período que já se sabia difícil e cujo tamanho das dificuldades a serem enfrentadas tomaram definitivamente a forma com o anúncio dos cortes orçamentários do Governo Federal, recentemente. Deu-se, então a conhecer os contornos da aguardada crise.
Contudo já é por demais conhecida a leitura de uma crise como sendo traduzida pelo binômio ”Ameaça/Oportunidade".
Olhando para o nosso País, podemos considerar que a crise aqui vivida pode e deve ser entendida, à luz do cenário mundial, como complexa, composta de crises de diferentes matizes: política, econômica e social. Dessa maneira, se atentamos para o binômio que a traduz não é nos difícil perceber que as quantidades de “ameaças” e de "oportunidades" geradas se multiplicam e se colocam a cada momento à frente dos empresários da defesa e de segurança, exigindo a resposta adequada em cada situação.
Para suportar essa árdua caminhada de sobrevivência e crescimento, a Base Industrial de Defesa (BID) deve contar e estimular alguns dos instrumentos de que já dispomos necessários à gestão desse período conturbado:
1- A Frente Parlamentar de Defesa, recentemente criada no âmbito do Congresso Nacional conta com parlamentares de oposição e governo, do Senado e da Câmara, todos com grande prestígio e acentuada desenvoltura no Legislativo. Este frente precisa ser abastecida com as ideias do setor de defesa e segurança, de forma que possam legitimamente continuar aumentando a receptividade do setor junto à opinião pública e, em especial, defender o critério de um orçamento que sustenta a Estratégia Nacional de Defesa.
2—O Ministério da Defesa apresenta uma estrutura que vem se adequando com abertura as necessidades do segmento. A Secretaria de Produtos de Defesa, dividida em Departamento de Produtos de Defesa, Departamento de Catalogação e Departamento de Ciência e Tecnologia Industrial é o meio de diálogo da BID com o Governo Federal, e estrutura capaz de junto com a indústria preservar a política de estado brasileira no setor.
3- A própria Estratégia Nacional de Defesa (END), que originou mecanismos conhecidos de proteção do setor, como as Empresas Estratégicas de Defesa (EED); o Produto Estratégico de Defesa (PED); e a Regime Especial Tarifário da Indústria de Defesa (RETID).
De forma a efetivamente fortalecer os três instrumentos acima, a Associação das Indústrias de Material de Defesa e Segurança (ABIMDE) destaca-se como legítima interlocutora do setor de forma imparcial, promovendo a convergência dos interesses da Base Industrial de Defesa. A ABIMDE é a ferramenta institucional de trabalho do empresário de defesa e segurança, não só voltada para o mercado interno, como também, e cada vez mais, para o mercado externo como uma das oportunidades mais claras de sustentação e crescimento empresarial.
A ABIMDE, neste contexto, e atuando na identificação e tratamento das ”ameaças“ e "oportunidades” contratou junto à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) um importante estudo chamado Avaliação da Importância Socioeconômica da Indústria de Defesa e Segurança no Brasil“. Os resultados da pesquisa mostram que, em 2014, o PIB do complexo de defesa e segurança corresponde a 3,7% do PIB do Brasil, o que poderia facilmente chegar a 8%.
Conclusão interessante daquele estudo aponta os efeitos distribuídos a cada R$ 10 milhões de investimento no Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa (PAED), para um projeto do setor aeronáutico, por exemplo: Investimento Modular R$ 10 milhões; Efeitos Direto e Indireto na economia, R$ 18,6 milhões; incremento no PlB, R$ 9,7 milhões; ”Pessoal Ocupado, 174,5 homem/ano;' Efeito Direto, Indireto e Induzido na Economia, R$ 33,4 milhões,' Incremento no PIB com Efeito Induzido, R$ 18, 6 milhões; e Pessoal ocupado com Efeito induzido, 352, 6 homem/ano.
Voltaremos a este assunto, mas apenas por estas conclusões podemos dizer que o setor de defesa e segurança gera efeitos induzidos na economia de alto valor, servido de base para incentivar apostas em políticas de longo prazo para o setor. Tais ações, que assegurem o planejamento de longo prazo devem ser induzidas através da competente articulação entre Frente Parlamentar, Ministério da Defesa e Estratégia Nacional de Defesa, papel este que à ABIMDE será imposto nos próximos anos, requerendo muita unidade e superação.
Tecnologia & Defesa, com 32 anos de mercado e que já viveu tantos outros tempos cinzentos, sempre divulgando e defendendo as Forças Armadas e a Indústria Nacional de Defesa e Segurança, continuará a cumprir seu papel de esclarecer e debater as importantes medidas para o setor, estando, como sempre e incondicionalmente, ao lado da ABIMDE em mais esta luta. Vamos em frente todos juntos!
T&D
Tecnologia & Defesa
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